Quando falamos em corpo, sexualidade e formação de identidade, nos vem a tona o padrão branco, heterosexual e de acordo com os padrões de beleza aceitos na sociedade. Contudo, o quanto disso é realmente válido e aplicado a cultura global em que vivemos?
Passado o periodo de repressão sexual, vivido após a ascenção da burguesia, foi dado ao corpo o papel de propriedade e sua função resumida à reprodução. Nesse sentido, tanto a escola quanto a Igreja iam de encontro com os interesses sociais. Nesse sentido, com o surgimento dos movimentos sociais, dentre eles o movimento feminista, surgiram na sociedade novos discursos e novas formas de ver e pensar o corpo. Entretanto, ainda percebemos na educação formal (através dos livros didáticos, por exemplo) a predominância do arquétipo masculino, da família patriarcal, machista, o que contrapõe em muitas vezes a realidade vivenciada em muitas escolas, uma vez que a formação familiar se modificou e, com ela, se modificaram também as percepções da sexualidade e do corpo.
A escola atual vive momento conturbado, visto que de um lado estão as ideias tradicionais, regidas pelos bons costumes, e do outro as facilidades de acesso à informação a que os jovens estão expostos. Assim, não cabe mais a escola estipular noções de certo e errado, de normal e anormal, uma vez que tudo é encontrado no nosso dia a dia. Acredito que a escola não pode estar alheia aos contextos de diversidade cultural & sexual, ao contrário, deve educar à partir das diferenças, sejam elas diferenças sexuais, sociais, culturais, morais.
